Mais de 60% dos moradores de Porto Alegre se sentem inseguros


A capital dos gaúchos completa nesta terça-feira 241 anos. Apesar de Porto Alegre possuir mais de 200 anos de existência, alguns problemas persistem e são desafios aos gestores, como é o caso da segurança. Mais da metade dos porto-alegrenses sente-se insegura segundo pesquisa realizada pelo Instituto Methodus e encomendada pelo Correio do Povo.

O estudo, divulgado em julho de 2012, apontou que 64,9% dos 1,6 mil entrevistados têm a sensação de que não estão protegidos. A segurança é o segundo item na ordem de prioridade destacado na pesquisa da mesma instituição, publicada em março do ano passado. A média dada pelos pesquisados para essa área foi de 3.22, sendo que 21,4% responderam que o serviço municipal é péssimo, e 26,9%, ruim. Entre ruim e regular, foram 12%; regular, 24,7%; entre regular e bom, 7,2%; bom, 7,7%; e ótimo, 0,2%.Segundo levantamento da Secretaria Estadual da Segurança Pública, a maior parte dos crimes teve o índice aumentado de 2011 para 2012. Um deles foi o de homicídios. No ano passado, foram 451 na Capital e nos 12 meses anteriores, 382. Os furtos de veículos também subiram. Em 2011, o registro foi de 2.773 e no ano seguinte, 3.562.A doutora em Sociologia e professora do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Ufrgs Ligia Mori Madeira, que faz parte do Grupo de Pesquisa Violência e Cidadania, afirmou que existe uma discussão sobre a influência das condições gerais de uma cidade nos índices de criminalidade. Ela acredita que esse fator não é determinante e depende de vários outros para interferir nos números.De acordo com Ligia, o sentimento de insegurança não é exclusivo do morador de Porto Alegre. 'O cidadão da América Latina se sente inseguro. Convivemos com índices altos de criminalidade e, em Porto Alegre, os principais deles têm subido. A exposição midiática também leva a essa sensação', destacou.Na opinião da professora, as câmeras de segurança, além de ajudar a inibir a criminalidade, ajudam na elucidação e, nos casos em que os autores são presos, a diminuir a reincidência. Por outro lado, Ligia pensa que com a frequência de instalação desses equipamentos, em algum tempo, as pessoas têm a tendência de esquecer.Iluminação é fator decisivoNúmero de efetivo nas ruas, iluminação e limpeza das vias públicas são os três fatores que mais interferem na sensação de segurança da população, segundo pesquisas do Instituto Methodus. A diretora da empresa, Margrid Sauer, cruzou dados do estudo divulgado no ano passado e constatou que, nas regiões em que a insatisfação em relação à iluminação foi superior a de outros bairros, o sentimento de insegurança também foi mais elevado. Cristal, Cavalhada, a união dos bairros Partenon, São José e São João, além do Passo das Pedras, Mario Quintana, Restinga e Morro Santana foram os locais com índices mais altos. "É um fator que poderia ser rapidamente resolvido", afirmou Margrid. Contudo, há outros pontos da cidade totalmente às escuras. A avenida Castelo Branco, próximo à Mauá, é um deles. No viaduto Leonel Brizola, a situação não é diferente, assim como em paradas de ônibus da Farrapos.O supervisor de Iluminação Pública de Porto Alegre, Luiz Fernando Colombo, explicou que a prefeitura conta com dez equipes contratadas e duas próprias para fazer a manutenção dos pontos de iluminação. O trabalho ficou pendente durante todo fevereiro, por conta de um problema na licitação. "Em 20 dias tudo deve estar normalizado." Colombo disse que há problemas crônicos na Castelo Branco, mas devem ser solucionados esta semana. Na Farrapos, a situação foi resolvida, segundo ele. O frequente furto de cabos de cobre é um problema.Mortes são ligadas ao tráficoA maior parte dos homicídios registrados em 2012 no Estado ocorreu em Porto Alegre (451), um aumento de 18,06%, na comparação com 2011. O secretário da Segurança Pública, Airton Michels, afirmou que os números preocupam, e destacou mais de um fator para a elevação dos índices. Conforme ele, um dos motivos é que a Pasta passou classificar melhor esse tipo de crime. 'Antes, havia o encontro de uma pessoa morta com dois ou três tiros nas costas e o crime era classificado como encontro de cadáver, mas, independentemente disso, houve aumento.' A maior parte das mortes está relacionada ao tráfico de drogas. Michels avaliou que o combate mais incisivo a quadrilhas organizadas resulta em disputas de organizações menores para dominar os pontos de vendas. Isso, segundo ele, termina gerando mais assassinatos.'Temos de combater as consequências também. Cerca de 70% das vítimas são jovens com antecedentes. Aproximadamente 58% dos homicídios ocorrem em via pública, com características de execuções. Muitos ataques são de motoqueiros.' O combate, conforme Michels, se dará a partir de um incremento na parte da investigação. 'Um quarto dos homicídios do Estado ocorre em Porto Alegre. Uma das razões é a impunidade. Criamos em janeiro quatro delegacias especializadas de homicídio. Antes, de cada dez, apenas dois eram solucionados na região. Conseguimos passar para sete.'


Fonte: http://www.portalvitrine.com.br/mais-de-60-dos-moradores-de-porto-alegre-se-sentem-inseguros-news-29441.html
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