59,8% apontam empresas como culpadas pela greve


Apesar de não concordarem com a paralisação, porto-alegrenses ouvidos pelo Instituto Methodus não responsabilizam os rodoviários.

Foram eles que cruzaram os braços e impediram que os ônibus saíssem das garagens por 15 dias, mas para os porto-alegrenses, os rodoviários não ocupam o primeiro, nem o segundo e terceiro lugares entre os responsáveis pela greve que parou Porto Alegre. É o que revela uma pesquisa do Instituto Methodus, obtida com exclusividade pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação. Quando os entrevistadores perguntaram quem eram os responsáveis pela greve, 59,8% deles apontaram as empresas de ônibus. Em segundo lugar ficou a prefeitura (46%), em terceiro o governo estadual (29,3%) e só depois, em quarto lugar, aparecem os rodoviários, com 27,8%. Apenas nessa pergunta era possível escolher mais de uma opção. A diretora do Instituto Methodus, Margrid Sauer relaciona o entendimento da população à maneira como a greve foi explicada na mídia e pelas autoridades. "O prefeito mesmo bateu muito no que estaria por trás, o corpo mole nas negociações, o que tornou eles (os empresários) mais responsáveis que os rodoviários', avalia. Surpreso, o gerente executivo da Associação dos Transportadores de Passageiros, Luiz Mário Magalhães Sá, achou que o esforço das empresas nas negociações tinha ficado claro. "Fizemos o possível e o impossível em primeiríssimo lugar para terminar com a greve, mas sempre há um grau muito grande de simpatia por quem faz greve por salário, solidariedade popular de considerar o lado mais fraco, no caso os grevistas, como os menos culpados sobre os episódios", analisa. Para o cientista político Paulo Moura, é exatamente isso: o povo se identifica com o trabalhador que busca valorização salarial. "Tem a ver com uma situação da percepção da economia. Pode haver uma sensação de que os rodoviários têm razão de reivindicar o aumento salarial", observa. Outros dois pontos surpreenderam Margrid: 77% dos entrevistados são usuários de transportes públicos e 59% deles dependem dos ônibus todos os dias. "Foi um movimento que afetou muita gente", destaca. E o restante, que não usa ônibus, tem uma visão ruim do serviço. 'A imagem do transporte é muito ruim também para que não usa, isso dificulta convencer alguém a deixar seu carro em casa", considera.


Fonte: Jornal Metro
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