Resposta ao menos carro, cidade mais saudável


Pesquisa do instituto Methodus mostrou que mais de 30% dos porto-alegrenses não trocariam o carro particular pelo transporte coletivo. Assim, mesmo com elevado grau de consciência, as pessoas demonstram dificuldades em mudar a rotina, a ponto de não abrir mão de supostas facilidade

Cristiano Lange dos Santos O artigo do vice-prefeito da Capital, Sebastião Melo, no Jornal do Comércio (19/5/2014), nos faz refletir sobre a distância que separa o discurso da prática. Embora apresente uma percepção da problemática da mobilidade urbana, demonstra o distanciamento entre o que se prega e o que se faz. O que está escrito não é o que se tem visto em Porto Alegre. Algumas ações da prefeitura demonstram exatamente o contrário, como o corte de árvores na orla do Gasômetro para ampliar a pista, e a revogação do dispositivo que mandava aplicar 20% das multas em ciclovias e campanhas de educação. Além disso, temos a retirada das placas do coletivo Shoot de Shit indicando o tempo de caminhada em pontos da cidade. Pesquisa do instituto Methodus mostrou que mais de 30% dos porto-alegrenses não trocariam o carro particular pelo transporte coletivo. Assim, mesmo com elevado grau de consciência, as pessoas demonstram dificuldades em mudar a rotina, a ponto de não abrir mão de supostas facilidades. Somente a partir de programas criativos vamos massificar estilos de vida menos dependentes do veículo automotor. Portanto, a cultura pode perfeitamente ser desconstruída com políticas públicas de desestímulo ao uso do automóvel individual. Para isso, é preciso fazer o óbvio imediatamente. Investir pesado na qualificação do transporte público, incluindo melhorias em paradas com acessibilidade e informações aos passageiros. Outro ponto é a ampliação de faixas exclusivas para ônibus, algo ainda tímido na gestão atual. A médio prazo, será necessário adotarmos novos métodos de planejamento para uma mudança do paradigma rodoviarista, intensificando a educação, formação e sensibilização das pessoas. Para mudar a cultura carrocêntrica de hoje, precisamos construir alternativas. Porto Alegre, nesse sentido, tem apresentado poucas. Está aquém do esperado. Quem sabe as coisas melhorem quando a prática for condizente com o discurso. Afinal, em termos de mobilidade urbana, o futuro é agora. Integrante da Mobicidade


Fonte: Jornal do Comrcio: Notcia da edio impressa de 23/06/2014
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