A construção da terceira via


A terceira via não é sinônimo de terceiro lugar nas pesquisas. É um caminho alternativo, uma opção além de A e B. Pode estar em terceiro, quarto ou quinto lugar na largada de uma eleição. Isto não importa. O que importa é a capacidade que a terceira via demonstra, durante a campanha, de agregar eleitores descontentes ou que não se sintam representados por A e B, além, é claro, de mostrar poder de arranque, sem o qual nenhuma terceira via torna-se viável.

A terceira via não é sinônimo de terceiro lugar nas pesquisas. É um caminho alternativo, uma opção além de A e B. Pode estar em terceiro, quarto ou quinto lugar na largada de uma eleição. Isto não importa. O que importa é a capacidade que a terceira via demonstra, durante a campanha, de agregar eleitores descontentes ou que não se sintam representados por A e B, além, é claro, de mostrar poder de arranque, sem o qual nenhuma terceira via torna-se viável. Se o seu candidato preferido ainda não tiver se mostrado competitivo, chegando perto dos primeiros colocados, o eleitor o trocará pelo que considera menos ruim. Ou seja, vota contra A ou B. No Rio Grande do Sul tem sido o voto a favor ou anti-PT que tem prevalecido, polarizando as eleições. Mas se o candidato tiver demonstrado crescimento sustentável, pesquisa após pesquisa, o eleitor pode apostar na terceira via, esvaziando uma das duas candidaturas principais. Deste momento em diante o ?candidato? passa a atrair votos de outros candidatos, como se tivesse um campo gravitacional próprio. E sua candidatura torna-se forte e viável. Por que o poder de arranque é tão fundamental para a construção de uma terceira via? Porque o eleitor não desperdiça voto. Nem no primeiro turno. Por este motivo é que muitos eleitores definem seu voto nos últimos dez dias de campanha, e usam as pesquisas de opinião para balizar suas ?apostas?. Já as pesquisas de simulação de segundo turno são poderosas, pois antecipam o cenário final e mostram as chances de vitória de A ou B. Esta lógica do eleitor é universal. Não precisa ser alfabetizado, não precisa ser politizado. É só ter as noções básicas (as chaves explicativas) de quem é A ou B, e muitas vezes estas noções básicas são construídas na mídia e pela mídia. Por isto, quem controla a agenda e a informação pode construir ou destruir uma candidatura. A percepção da candidatura é o que conta muito mais do que os fatos em si. E quando uma campanha sabe trabalhar bem todas as formas de comunicação e entende como são elaboradas, pela opinião pública, as chaves explicativas que atuam na formação da preferência do eleitor, têm chances reais de vencer uma eleição. Mesmo que esteja em penúltimo lugar no início de uma campanha. Neste sentido o ?saber posicionar um candidato? é o passo mais importante. E para isto a pesquisa é indispensável. A quantitativa para mesurar as demandas da sociedade, onde estão as maiores lacunas e onde estão os sucessos das atuais administrações. A qualitativa para avaliar a imagem do candidato em si, seu potencial de crescimento e seus pontos de rejeição. Saber todos os prós e contras, desde o início, do seu candidato e das outras candidaturas, é indispensável. E trabalhar a comunicação da forma o mais simples e direta possível. Normalmente as chaves explicativas, usadas pelos eleitores para justificar suas escolhas e para formar a imagem mental que tem dos candidatos, são construídas com apenas dois ou três elementos discursivos. Estes elementos são captados dos meios de comunicação ? jornais, programas de rádio, TV, emails, torpedos, mídias digitais - de conversas com amigos e familiares ou do contato pessoal direto ou indireto com o candidato. As informações são aceitas ou rejeitadas conforme predisposição existente no eleitor, suas experiências de vida, sua experiência eleitorais prévias, como vê o meio político e seus atores. A opinião, quando não radical ou ideológica, pode ser contaminada e mudar. Em caso de existir uma opinião ideológica estruturada, a escolha pode se afastar ou se aproximar de candidato A, B ou C, desde que sua opção permaneça dentro do bloco ideológico de sua preferência. Portanto, tirando o eleitorado cativo de partido A ou B, todos os outros votos estão disponíveis no mercado eleitoral.


Fonte: Fernanda Barth
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