Eleições 2026: Pesquisa revela disputas apertadas e elevada indefinição no RS

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O Instituto Methodus apresenta os resultados da pesquisa de intenção de voto realizada junto ao eleitorado do Rio Grande do Sul, na etapa final da campanha eleitoral de 2026.

O levantamento foi realizado entre os dias 27 de setembro e 1º de outubro de 2026, período imediatamente anterior ao primeiro turno das eleições, permitindo observar o posicionamento dos eleitores gaúchos às vésperas da votação.

Na pesquisa espontânea, Lula (PT) aparece com 37,5% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com 32,9%. A diferença entre os dois é de 4,6 pontos percentuais. Os demais candidatos apresentam percentuais significativamente menores: Augusto Cury (Avante) registra 3,2%, Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), 1,9% cada. Romeu Zema (Novo) e Samara (UP) aparecem com 0,3% cada.

Um dado relevante da espontânea é o baixo percentual de eleitores que ainda não indicam um candidato. São 15,9% que não sabem em quem votar, enquanto 6,1% declaram espontaneamente a intenção de votar em branco ou anular o voto. Mesmo sem a apresentação dos nomes, entretanto, Lula e Flávio Bolsonaro somam 70,4% das respostas, evidenciando que a disputa presidencial já se encontra fortemente definida entre os dois candidatos.

Quando os nomes são apresentados aos entrevistados, na pesquisa estimulada, essa concentração aumenta. Lula alcança 39,1% e Flávio Bolsonaro 36,2%, reduzindo a distância entre ambos para 2,9 pontos percentuais. Considerada a margem de erro da pesquisa, de três pontos percentuais para mais ou para menos, o resultado indica uma situação de empate técnico entre os dois candidatos.

A distribuição mostra, portanto, uma eleição bastante concentrada: Lula e Flávio Bolsonaro reúnem juntos 75,3% das intenções de voto estimuladas, enquanto todos os demais candidatos somam 12,6%.

Por fim, considerando exclusivamente os votos válidos, Lula registra 44,5% e Flávio Bolsonaro 41,2%. Nesse recorte, os dois primeiros concentram 85,7% dos votos válidos, reforçando a configuração de uma disputa presidencial predominantemente polarizada entre Lula e Flávio Bolsonaro no eleitorado do Rio Grande do Sul.

A disputa pelo Senado Federal apresenta uma dinâmica diferente das demais eleições. Em 2026, o Rio Grande do Sul elegerá dois senadores, permitindo ao eleitor realizar duas escolhas. Por essa razão, a pesquisa investigou separadamente a primeira e a segunda opção de voto, apresentando também um resultado agrupado das duas escolhas

Na primeira escolha espontânea, Marcel Van Hattem (NOVO) aparece com 11,1%, seguido por Pimenta (PT), com 9,4%, Manuela D’Ávila (PSOL), com 8,2%, e Sanderson (PL), com 5,2%. Rigotto (MDB) registra 2,0% e Frederico Antunes (PSD), 0,6%. A principal característica desse primeiro voto, entretanto, é a elevada indefinição: 57,9% dos entrevistados não sabem em quem votar, enquanto 5,6% declaram espontaneamente voto branco ou nulo.

A comparação entre as duas escolhas revela diferenças na distribuição das preferências. Van Hattem apresenta maior presença na primeira escolha, passando de 11,1% no primeiro voto para 4,7% no segundo. Sanderson apresenta movimento inverso, crescendo de 5,2% na primeira escolha para 7,9% na segunda. Pimenta e Manuela apresentam percentuais mais próximos entre os dois votos: Pimenta registra 9,4% e 7,2%, respectivamente, enquanto Manuela alcança 8,2% e 6,5%.

Quando as duas escolhas são agrupadas, Pimenta registra 8,0%, Marcel Van Hattem 7,9%, Manuela D’Ávila 7,4% e Sanderson 6,5%. Rigotto aparece com 1,5% e Frederico Antunes com 0,6%. As diferenças entre os quatro primeiros estão dentro da margem de erro, e os resultados espontâneos não estabelecem uma vantagem ampla entre eles.

No resultado agrupado, 62,1% não sabem indicar um candidato, percentual muito superior ao observado na disputa presidencial. As vésperas da eleição, a escolha para o Senado permanece menos definida na lembrança espontânea do eleitorado, especialmente quando se trata da segunda vaga.

Quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, o cenário para o Senado Federal torna-se mais definido, embora permaneça uma disputa distribuída entre diferentes candidaturas. Assim como na espontânea, a pesquisa investigou separadamente a primeira e a segunda escolha, além de apresentar o resultado agrupado dos dois votos

Na primeira escolha estimulada, Manuela D’Ávila (PSOL) aparece com 20,1%, seguida por Pimenta (PT), com 16,9%, Marcel Van Hattem (NOVO), com 14,8%, e Sanderson (PL), com 11,5%. Rigotto (MDB) registra 8,3%. Os demais candidatos aparecem abaixo de 3%. Nesse primeiro voto, 12,7% não sabem em quem votar e 7,9% indicam branco ou nulo.

Na segunda escolha estimulada, Manuela também apresenta o maior percentual, com 14,9%, seguida por Pimenta, com 14,0%, e Sanderson, com 13,6%. Marcel Van Hattem registra 7,4% e Rigotto, 5,6%. Neste segundo voto, a indefinição aumenta: 23,2% não sabem indicar um candidato e 10,0% declaram branco ou nulo.

A comparação entre os dois votos mostra comportamentos distintos entre as principais candidaturas. Manuela, Pimenta e Van Hattem apresentam percentuais maiores na primeira escolha, enquanto Sanderson amplia sua presença no segundo voto, passando de 11,5% para 13,6%. A diferença é particularmente expressiva quando comparada a de Van Hattem, que registra 14,8% como primeira escolha e 7,4% como segunda.

No resultado agrupado da primeira e da segunda escolhas, Manuela D’Ávila registra 17,5%, Pimenta 15,5%, Sanderson 12,5%, Marcel Van Hattem 11,1% e Rigotto 7,0%. 

A apresentação dos nomes reduz de forma expressiva a indefinição observada na pesquisa espontânea. No resultado agrupado, o percentual de “não sabe” passa de 62,1% na espontânea para 17,9% na estimulada. Ainda assim, a indefinição permanece relevante, sobretudo para a segunda escolha, indicando que uma parcela do eleitorado consegue definir um dos votos para o Senado, mas ainda não consolidou sua opção para a outra vaga.

Os resultados estimulados mostram, portanto, cinco candidaturas com percentuais mais elevados, mas com diferenças entre o primeiro e o segundo voto. Manuela e Pimenta apresentam percentuais próximos nas duas escolhas; Van Hattem concentra maior proporção no primeiro voto; Sanderson, por sua vez, apresenta participação relativamente maior na segunda escolha. Essa distribuição ajuda a compreender que, em uma eleição com dois votos para o Senado, a posição de cada candidatura depende não apenas de sua presença entre as preferências do eleitor, mas também de como essa preferência se distribui entre a primeira e a segunda escolha.

Na disputa pelo Governo do Rio Grande do Sul, os resultados mostram uma competição concentrada entre Zucco (PL) e Juliana Brizola (PDT).

Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados, Zucco registra 25,3% das intenções de voto, seguido por Juliana Brizola, com 17,5%. Gabriel Souza (MDB) aparece com 7,0% e Marcelo Maranata, com 0,8%. Neste cenário, o principal dado é o elevado percentual de eleitores que ainda não manifesta espontaneamente uma preferência: 43,6% não sabem em quem votar, enquanto 5,8% declaram voto branco ou nulo.

Quando os nomes são apresentados, na pesquisa estimulada, a distância entre os dois primeiros diminui de forma expressiva. Zucco alcança 35,7% e Juliana Brizola 32,0%, uma diferença de 3,7 pontos percentuais. Considerada a margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos, os dois candidatos encontram-se tecnicamente empatados. Gabriel Souza registra 10,4%, enquanto Marcelo Maranata aparece com 1,9%, Priscila Voigt com 0,9%, Cesar Pontes com 0,6% e Rejane de Oliveira com 0,4%.

Considerando apenas os votos válidos, Zucco registra 43,6% e Juliana Brizola 39,1%. Gabriel Souza alcança 12,7%, enquanto os demais candidatos somam percentuais inferiores a 3%. Os dois primeiros concentram, juntos, 82,7% dos votos válidos, demonstrando a forte concentração da disputa em torno de suas candidaturas.

O quadro revelado pela pesquisa é de uma disputa aberta entre Zucco e Juliana Brizola, em situação de empate técnico no cenário estimulado. Entretanto, tão relevante quanto a proximidade entre os dois primeiros colocados é o elevado percentual de eleitores que, espontaneamente, ainda não consegue indicar um candidato ao Governo do Estado. São 43,6% de indecisos na pergunta espontânea, aos quais se somam 5,8% que declaram intenção de votar em branco ou anular o voto. Isso significa que praticamente metade dos entrevistados não manifesta espontaneamente preferência por nenhuma das candidaturas. A apresentação dos nomes reduz significativamente essa indefinição: na estimulada, os indecisos recuam para 10,3%, enquanto brancos e nulos representam 7,9%. 

Esse comportamento merece atenção para além da própria disputa entre os candidatos.

O elevado nível de indefinição espontânea pode ser interpretado como um sinal de menor envolvimento de uma parcela do eleitorado com a eleição estadual. Na reta final, esse contingente pode tanto converter sua preferência em voto para uma das candidaturas quanto permanecer afastado da decisão eleitoral.

Nesse sentido, a pesquisa coloca uma segunda questão ao lado do empate técnico entre Zucco e Juliana: qual será o comportamento do eleitor ainda pouco mobilizado pela disputa? Caso parte desse segmento não transforme sua indefinição em escolha até o dia da votação, poderá haver maior espaço para abstenção, votos brancos e nulos, comportamentos associados ao que denominamos de desalento eleitoral.

Trata-se de uma hipótese que deverá ser confrontada com os dados efetivos de comparecimento e votação, mas que se torna especialmente relevante diante do elevado percentual de eleitores que, a poucos dias da eleição, ainda não manifesta espontaneamente uma escolha.

José Carlos Sauer – Diretor do Instituto Methodus, especialista em comportamento político e graduado em Filosofia Política. Há mais de 25 anos acompanha disputas eleitorais, conduzindo pesquisas de opinião, interpretação de dados, análises e direcionamento estratégico. Se você busca uma consultoria estratégica para o segundo turno das eleições, fale conosco por WhatsApp ou e-mail

Ficha Técnica da Pesquisa

Período de realização: 27 de setembro a 1º de outubro de 2026.
Tamanho da amostra: 800 entrevistas.
Margem de erro: 3 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Nível de confiança: 95%.
Público-alvo: Eleitores do Estado do Rio Grande do Sul.
Fonte dos dados para elaboração da amostra: IBGE – Censo 2010 e TSE – 2026.
Metodologia: Pesquisa quantitativa, realizada por meio de entrevistas pessoais, com aplicação de questionário estruturado junto a uma amostra representativa do eleitorado do Estado do Rio Grande do Sul.
Contratante e origem dos recursos: Instituto Methodus – recursos próprios.
Empresa responsável: Instituto Methodus.
Registro na Justiça Eleitoral: RS-02831/2026.
Data prevista para divulgação: 2 de outubro de 2026.

O perfil dos entrevistados é composto por 53% do gênero feminino e 47% do gênero masculino. Em relação à idade, 27% possuem menos de 35 anos, 46% têm entre 35 e 59 anos e 27% possuem 60 anos ou mais. Quanto à escolaridade, 32% possuem até o ensino fundamental completo, 45% possuem ensino médio incompleto ou completo e 23% possuem ensino superior incompleto ou completo. Em relação à renda familiar, 65% recebem até cinco salários mínimos (R$ 8.105,00) e 35% possuem renda superior a cinco salários mínimos (acima de R$ 8.106,00).

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