A sucessão de Leite e o tabuleiro da disputa ao Piratini

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A última pesquisa eleitoral, divulgada pelo Instituto Methodus, revela cenários que ainda não são plenamente explorados pelo mercado político. Nesta análise, apresento uma investigação exclusiva que busca iluminar a disputa pela cadeira de governador(a) no Piratini em 2026.

Distante da ideia de uma vitória garantida a um ano da eleição, os dados, quando interpretados à luz dos atores envolvidos, oferecem novas perspectivas sobre o cenário em formação.

As simulações para governador do Rio Grande do Sul indicam, neste momento, um quadro de equilíbrio entre três nomes principais: Juliana Brizola (PDT), Zucco (PL) e Edegar Pretto (PT). Cada um sustenta sua força em perfis e territórios distintos:

  • Juliana Brizola (PDT) se ancora na Região Metropolitana, com forte apelo entre adultos e idosos das classes média e baixa.
  • Zucco (PL) se fortalece no interior conservador, especialmente no Noroeste e Sudoeste, apoiado por uma classe média de renda mais alta e maior escolaridade.
  • Edegar Pretto (PT) mantém as bases históricas do partido, com destaque no Centro Ocidental e Sudeste, sustentado por eleitores de baixa renda e desempenho expressivo também na Região Metropolitana, onde consolida parte de sua competitividade.

Esse equilíbrio, porém, pode ser alterado por um quarto ator: Gabriel Souza (MDB), atual vice-governador e nome natural de continuidade de Eduardo Leite (PSD). Gabriel representa uma força política que não pode ser ignorada, pois está diretamente associado ao Fator Eduardo Leite, elemento central nessa equação.

Na menção espontânea, Eduardo Leite alcança mais de 10% das citações, índice elevado para uma pergunta aberta, a um ano da eleição, e ainda mais para um ator político que não estará na disputa direta ao governo do Estado. Já na estimulada, esse eleitorado se dispersa: quase um terço migra para Juliana Brizola, consolidando-a como a principal beneficiária da ausência de Leite e, ao mesmo tempo, refletindo a baixa performance de seu sucessor natural, Gabriel Souza.

Esse dado é estratégico: Juliana Brizola ainda não possui recall espontâneo relevante, mas se torna competitiva quando o eleitorado a enxerga como alternativa de continuidade ao projeto de Leite.

Atualmente, Gabriel Souza aparece com pouco mais de 5% na estimulada e 1,2% na espontânea, ligeiramente à frente de Juliana Brizola, que registra 0,9%, mas ainda sem densidade própria. Com o endosso explícito de Eduardo Leite, entretanto, pode se tornar herdeiro natural dessa base, sobretudo entre eleitores de classe média e perfil metropolitano que veem no governador atual uma liderança de continuidade.

O grande desafio de Gabriel será transformar essa transferência potencial em intenção de voto real: para isso, precisa ampliar sua visibilidade, construir uma narrativa convincente e demonstrar capacidade política para se afirmar como “o candidato apadrinhado por Leite”.

Quem perde e quem ganha caso Gabriel se torne competitivo?

Num primeiro momento, os dados indicam que Juliana Brizola é a maior prejudicada por uma candidatura robusta de Gabriel Souza. Parte expressiva de seu crescimento atual vem justamente do eleitorado órfão de Leite. Sem esse contingente, Juliana corre o risco de perder espaço e sair do bloco principal da disputa.

Para Zucco (PL) e Edegar Pretto (PT), o impacto é menor: suas bases são mais ideológicas e consolidadas. Ambos tendem a enxergar a movimentação no campo do centro como uma oportunidade, a divisão desse eleitorado pode abrir espaço para que cresçam no confronto direto.

Cenários projetados

  • Sem Gabriel competitivo: Juliana segue como herdeira de Eduardo Leite e em condições de disputar em pé de igualdade com seus principais adversários.
  • Com Gabriel fortalecido: Juliana perde fôlego, e a disputa passa a ter um polo claro do “campo do Leite” contra as forças organizadas do PT e PL.
  • Com baixa transferência: Gabriel estaciona na faixa dos 10% e fragmenta ainda mais o centro, beneficiando Zucco e Edegar, que disputariam uma eleição mais polarizada.

Neste momento, o futuro da eleição gaúcha depende diretamente do grau de transferência de Eduardo Leite. Hoje, Juliana Brizola aparece como a principal herdeira de seu eleitorado, mas sua posição é vulnerável: caso Gabriel Souza seja lançado com força, pode capturar a base que hoje sustenta a pedetista e, assim, redesenhar o tabuleiro da disputa.

A eleição, que já se mostra equilibrada, poderia então se reconfigurar em três blocos distintos: a esquerda representada por Edegar Pretto, a direita por Zucco e o centro representado por Gabriel Souza, cenário em que Juliana teria de reinventar sua narrativa para não se tornar a maior vítima desse rearranjo.

Assim, a disputa ao Governo do Estado ainda exige cautela e reflexão. Subestimar as variáveis em jogo e acreditar na vitória antecipada pode se revelar um erro estratégico decisivo.

José Carlos Sauer – Diretor do Instituto Methodus, especialista em comportamento político e graduado em Filosofia Política. Há mais de 25 anos atende disputas eleitorais, conduzindo pesquisas de opinião, interpretação de dados e análises, além do direcionamento estratégico para campanhas.

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