Este artigo examina a dinâmica da disputa eleitoral a partir da reconfiguração do cenário provocada pelas mudanças nas principais candidaturas a governador do Rio Grande do Sul. Investigando a redistribuição do eleitorado, o potencial de crescimento entre concorrentes, a configuração territorial da competição e a existência, ou não, de impactos dessas transformações na corrida ao Senado.
Ao integrar diferentes indicadores, extraídos das mais recentes pesquisas divulgadas sobre a disputa no estado, a análise busca identificar tendências e compreender os fatores que vêm estruturando o cenário eleitoral gaúcho para 2026.
Destino do Voto | Março (%) | Junho (%) | Variação | Participação na Redistribuição* |
Edegar Pretto | 19 | — | -19 | Origem dos votos |
Covatti Filho | 3 | — | -3 | Origem dos votos |
Juliana Brizola | 24 | 37 | +13 | 59,1% |
Gabriel Souza | 13 | 18 | +5 | 22,7% |
Marcelo Maranata | 1 | 3 | +2 | 9,1% |
Luciano Zucco | 31 | 32 | +1 | 4,5% |
Nulo/Branco | 4 | 5 | +1 | 4,5% |
Não Sabe | 5 | 5 | 0 | 0,0% |
Total redistribuído | 22 | — | +22 | 100% |
Os resultados sugerem que a saída dos representantes do PT – Edegar Pretto e do PP – Covatti Filho beneficiou principalmente o campo progressista. Neste momento, Juliana Brizola é a principal receptora dos votos liberados, indicando forte afinidade com esse eleitorado, enquanto Gabriel Souza também apresentou ganhos relevantes. Já Luciano Zucco registrou crescimento residual, sugerindo que a retirada desses candidatos teve impacto limitado sobre seu eleitorado, que aparenta estar mais consolidado. Em síntese, observa-se uma reorganização da disputa, com Juliana emergindo, neste momento, como a principal herdeira dos votos disponíveis.
Ao analisar a chance de voto, a pesquisa sugere a existência de quatro situações distintas
Candidato | Votaria com certeza | Possibilidade de voto | Potencial Eleitoral* | Não votaria | Não conhece |
Gabriel Souza | 6% | 43% | 49% | 24% | 27% |
Juliana Brizola | 18% | 31% | 49% | 41% | 10% |
Luciano Zucco | 18% | 24% | 42% | 43% | 15% |
Marcelo Maranata | 1% | 26% | 27% | 20% | 53% |
* Potencial Eleitoral = “Votaria com certeza” + “Considero uma possibilidade de voto”.
- Juliana Brizola: maior consolidação eleitoral.
- Gabriel Souza: maior espaço potencial de crescimento.
- Luciano Zucco: base sólida, porém mais limitada pela rejeição.
- Marcelo Maranata: baixa rejeição, mas elevado desconhecimento.
O dado mais relevante é que Gabriel e Juliana apresentam exatamente o mesmo potencial eleitoral (49%), mas por caminhos distintos: Juliana possui mais apoio consolidado, enquanto Gabriel depende muito mais da conversão de eleitores que hoje apenas consideram votar nele. Já Zucco se destaca pelo tamanho de sua base fiel, mas pode enfrentar obstáculos para ampliar seu eleitorado devido ao nível de rejeição.
A análise regional revela uma importante diferença entre liderança eleitoral e capilaridade territorial.
Mesorregião | Juliana | Zucco | Gabriel | Maranata |
Metropolitana | 43% | 25% | 19% | 5% |
Noroeste | 30% | 39% | 16% | 2% |
Nordeste | 31% | 40% | 19% | 2% |
Sudeste | 35% | 33% | 20% | 1% |
Centro Oriental | 30% | 42% | 16% | 1% |
Centro Ocidental | 33% | 39% | 18% | 2% |
Sudoeste | 34% | 36% | 14% | 1% |
Embora Juliana Brizola apareça na liderança do cenário estadual, sua vantagem está fortemente concentrada na Região Metropolitana e, em menor medida, na região Sudeste. Já Luciano Zucco apresenta maior presença territorial, liderando em cinco das sete mesorregiões analisadas (Noroeste, Nordeste, Centro Oriental, Centro Ocidental e Sudoeste).
Candidato | Mesorregiões em que lidera |
Luciano Zucco | 5 de 7 |
Juliana Brizola | 2 de 7 |
Gabriel Souza | 0 |
Marcelo Maranata | 0 |
O indicador demonstra que Zucco possui maior capilaridade geográfica, com desempenho competitivo em praticamente todo o interior do estado. Juliana, por sua vez, concentra sua força eleitoral em regiões de maior densidade populacional, especialmente na Metropolitana, o que explica sua competitividade no resultado agregado. Já Gabriel Souza mantém desempenho relativamente homogêneo em todas as regiões, mas sem liderar em nenhuma delas, enquanto Marcelo Maranata permanece com presença residual. Em síntese, os dados indicam uma disputa marcada pela oposição entre a força metropolitana de Juliana e a ampla presença territorial de Zucco no interior gaúcho.
Na disputa ao Senado, entre as pesquisas analisadas, março e junho, o principal fato político foi a retirada de Edegar Pretto do cenário para o Governo do Estado.
Candidato | Março (%) | Junho (%) | Variação |
Marcel van Hattem | 18 | 20 | +2 |
Manuela d’Ávila | 18 | 19 | +1 |
Sanderson | 17 | 17 | 0 |
Paulo Pimenta | 13 | 14 | +1 |
Germano Rigotto | 12 | 14 | +2 |
Frederico Antunes | — | 4 | 0 |
Nulo/Branco | 12 | 5 | -7 |
Não Sabe | 10 | 7 | -3 |
Enquanto sua ausência provocou uma reorganização significativa da disputa ao Palácio Piratini, beneficiando principalmente Juliana Brizola, seus efeitos não se reproduziram na corrida ao Senado. Apesar do crescimento de Juliana, não houve avanço equivalente das candidaturas identificadas com o campo progressista ao Senado.
Os dados sugerem que as escolhas para governador e senador seguem lógicas distintas, com o eleitorado demonstrando maior independência entre as duas disputas.
Foram analisados dois levantamentos realizados pela Real Time Big Data no Rio Grande do Sul: a pesquisa de março, registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o nº RS-02550/2026, e a pesquisa de junho, registrada sob o nº RS-07063/2026. A escolha desses levantamentos decorre da utilização da mesma empresa de pesquisa, de questionários comparáveis e da proximidade metodológica entre os estudos, permitindo a análise da evolução do cenário eleitoral e dos efeitos provocados pela reconfiguração das principais candidaturas ao longo do período.
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