No Rio Grande do Sul, prestígio político não garante sucessão

Um dado curioso chamou a atenção na última pesquisa divulgada pelo Instituto Methodus. Na intenção espontânea para o Governo do Estado, o atual governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), que não pode disputar a eleição, foi o nome mais citado, alcançando 14,8% das menções. Na mesma simulação, Edegar Pretto (PT) aparece com 6,9%, Zucco (PL) com 5,8% e Gabriel Souza (MDB) com 3,3%.

À primeira vista, o senso comum poderia sugerir que esses votos espontâneos destinados a Eduardo Leite migrariam, na simulação estimulada, para seu vice-governador e aliado político. No entanto, os dados indicam um comportamento distinto: quando o nome de Eduardo não figura na lista apresentada ao eleitor, parte relevante desse contingente se redistribui, deslocando o eixo competitivo para candidaturas situadas no campo da esquerda e da centro-esquerda.

Esse movimento sugere que a citação espontânea de Eduardo Leite está mais associada ao reconhecimento e à avaliação de sua figura política do que, necessariamente, à intenção automática de continuidade de seu projeto de governo. Em outras palavras, o eleitor distingue a pessoa do governador da sucessão eleitoral propriamente dita.

Corrobora essa leitura o dado de percepção de vitória: o candidato identificado como representante do campo governista registra 8,9% na expectativa de vitória, percentual significativamente inferior ao observado para seus principais oponentes.

Outro fator relevante diz respeito à avaliação da administração estadual. O eleitorado encontra-se praticamente dividido em três blocos de igual dimensão: 33,7% classificam o governo como ótimo ou bom, 33,5% como regular e 32,8% como péssimo ou ruim. Trata-se de um quadro de equilíbrio avaliativo, sem predominância clara de aprovação ou reprovação.

Ao observar o comportamento político desses segmentos, nota-se que os eleitores que avaliam o governo como péssimo ou ruim tendem a se concentrar no espectro da direita como principal alternativa de mudança. Já entre aqueles que classificam a gestão como regular ou mesmo como boa ou ótima, verifica-se maior inclinação por opções situadas no campo da esquerda e da centro-esquerda nas simulações estimuladas.

O conjunto dos dados, analisado sob a ótica do comportamento político, sugere que a avaliação administrativa não se converte automaticamente em continuidade do grupo político atualmente no comando do Estado, indicando que parcela expressiva do eleitorado distingue aprovação de governo e escolha sucessória.

Nesta avaliação, evidencia-se um eleitorado atento, porém ainda em processo de consolidação de preferências. A fragmentação das intenções de voto, a baixa transferência de capital político e a competitividade entre campos ideológicos distintos sinalizam que o processo permanece aberto. No tabuleiro gaúcho, a herança eleitoral não se presume, constrói-se.

José Carlos Sauer – Diretor do Instituto Methodus, especialista em comportamento político e graduado em Filosofia Política. Há mais de 25 anos atende disputas eleitorais, conduzindo pesquisas de opinião, interpretação de dados e análises, além do direcionamento estratégico para campanhas. Se você busca uma consultoria política para sua disputa eleitoral, fale conosco por WhatsApp ou e-mail.

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A pesquisa foi realizada pelo Instituto Methodus entre os dias 18 e 24 de fevereiro de 2026, com 1.010 entrevistas presenciais no Rio Grande do Sul, margem de erro de 3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, estando devidamente registrada sob o nº RS-02054/2026.

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