O Vácuo da Direita e do Centro no Rio Grande do Sul

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A eleição para governador do Rio Grande do Sul em 2026 será marcada por um realinhamento das forças partidárias no estado. Com a ausência de Eduardo Leite (PSDB) e Onyx Lorenzoni (PL), a disputa será protagonizada por partidos que já demonstraram competitividade em pleitos recentes. A análise dos resultados eleitorais de 2018 e 2022 sugere que PT, PL, Republicanos, PSDB e MDB estarão no centro da corrida pelo Palácio Piratini.

Para compreender o cenário de 2026, analisamos o desempenho eleitoral das siglas em disputas passadas para os cargos de presidente, governador, senador, deputados federais e estaduais, além das eleições municipais mais recentes. Esse recorte possibilita a identificação das legendas com maior enraizamento político e projeção para a próxima disputa.

A metodologia adotada considerou o total de votos obtidos por cada partido nas eleições, disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral, incluindo um histórico detalhado do Rio Grande do Sul. A análise foi conduzida a partir do nosso Método de Ambidestria Política, permitindo mapear tendências e dinâmicas eleitorais através da utilização de IA e algoritmos de análise.

Com isto, chegamos ao ranking dos dez partidos com maior peso no Rio Grande do Sul, conforme o desempenho eleitoral mais recente, são eles:

  • PT – 8.242.020 votos
  • PL – 6.446.208 votos
  • REPUBLICANOS – 3.447.058 votos
  • PSDB – 2.222.947 votos
  • PSD – 1.287.929 votos
  • PP – 1.156.234 votos
  • PDT – 972.450 votos
  • MDB – 899.123 votos
  • PSB – 855.276 votos
  • NOVO – 812.562 votos

O PT lidera em volume de votos, consolidando sua forte presença no estado. O PL e o Republicanos emergem como representantes da direita conservadora, enquanto PSDB, MDB e PP, tradicionais no cenário gaúcho, mantêm influência significativa no eleitorado centrista.

A comparação entre os pleitos de 2018 e 2022 revela mudanças significativas na distribuição do capital político no estado:

  • O Republicanos experimentou um crescimento expressivo, chegando a mais de 3 milhões de votos em 2022, consolidando-se como uma força relevante da direita.
  • O PL ampliou sua influência, consolidando sua base bolsonarista, especialmente em regiões mais conservadoras.
  • O MDB, PSDB e PP tradicionalmente relevantes, agora, precisam somar forças para ultrapassar os 4 milhões de votos.
  • O PT obteve 4.799.429 votos nas eleições de 2018, chegando a 8.242.020 votos em 2022, um crescimento significativo, que reforça sua posição como legenda competitiva e bem estruturada para a eleição de 2026.

Esses dados reforçam um processo de realinhamento político no estado. A direita fortaleceu suas bases, enquanto partidos tradicionais, como PSDB,  MDB, PP, PDT e PSB, enfrentam desafios para manter sua relevância e competitividade.

Para analisar o histórico das duas eleições, utilizamos nosso Indicador Ideológico Municipal – IIM  verificando se, entre as eleições de 2018 e 2022, as tendências ideológicas no Rio Grande do Sul permaneceram estáveis ou sofreram alterações. A constância ideológica encontrada sugere que o crescimento da direita, na eleição de 2022,  não resultou de uma mudança estrutural no eleitorado, mas sim da mobilização de uma base conservadora já existente e que encontrou identidade no voto bolsonarista.

A análise do IIM  por mesorregião,  revela que as tendências ideológicas se mantém estáveis no estado, sem variações significativas nos últimos quatro anos.

Nordeste – Guaporé, Vacaria, Caxias do Sul: Mantém-se como a região mais alinhada à direita, reforçando seu histórico conservador.

Centro Oriental – Lajeado, Estrela, Santa Cruz do Sul: Exibe uma leve inclinação ao centro-direita, com indicação de maior oscilação na eleição de 2022.

Metropolitana – Porto Alegre, Gramado, Osório: Configura-se como um território altamente disputado, onde diferentes forças políticas competem voto a voto.

Noroeste – Santa Rosa, Erechim, Passo Fundo: Apresenta um equilíbrio ideológico, sem grandes deslocamentos entre os pleitos.

Centro Ocidental – Santiago, Santa Maria: Permanece aberto à disputa, sem uma identidade ideológica predominante.

Sudeste – Pelotas, Jaguarão, Litoral sul: Com tendência leve ao centro-esquerda, porém a variação é relativamente baixa indicando homogeneidade ideológica.

Sudoeste – Uruguaiana, São Borja, Alegrete: Caracteriza-se com uma inclinação mais pronunciada ao centro-esquerda e com maior diversidade interna na região.

A estabilidade desses índices reforça a tese de que as eleições de 2026 serão definidas menos pela conversão de novos eleitores e mais pela ativação e mobilização das bases já consolidadas. Esse fator reforça a importância de estratégias eleitorais voltadas à redução da abstenção e ao fortalecimento do engajamento político nas regiões-chave.

Ao integrar à análise os Indicadores do Painel Governamental, conduzido pelo Instituto Methodus no Rio Grande do Sul durante os meses de janeiro e fevereiro de 2025, ampliamos a capacidade preditiva combinando dados históricos com informações atualizadas. Essa abordagem inovadora permite uma leitura mais precisa das tendências políticas, identificando padrões de continuidade e possíveis inflexões no comportamento eleitoral do estado.

Neste momento, a avaliação da gestão Eduardo Leite (PSDB) reflete um cenário de desgaste, com 37,3% dos entrevistados classificando seu governo como “péssimo”, 39% como “ruim” e apenas 6,8% considerando a gestão “boa”, a viabilidade de um candidato em 2026 que seja apoiado pelo atual governador pode se  tornar altamente questionável.

Já o governo Lula no RS enfrenta um cenário polarizado. 45,2% dos eleitores o consideram “péssimo”, enquanto 28,6% avaliam sua gestão como “ótima” e 16,7% como “boa”. Essa divisão reflete o ambiente acirrado da política gaúcha e antecipa uma disputa entre os polos petista e bolsonarista.

Os dados do Painel reforçam essa polarização: atualmente, 41,7% dos eleitores manifestam apoio a uma candidatura alinhada a Lula (PT), enquanto 40,5% preferem um nome ligado a Bolsonaro (PL). Outros 16,7% buscam um candidato independente.

No contexto estadual, um candidato apoiado pelo petista teria 50,8% das intenções de voto, contra 25,4% de um nome bolsonarista e apenas 1,7% para um nome vinculado ao governador. Essa configuração indica um campo aberto para a disputa e a necessidade de coalizões estratégicas.

Neste sentido, o cenário político do Rio Grande do Sul para 2026 apresenta um vácuo significativo na direita e no centro, resultado de mudanças estruturais no comportamento eleitoral e na reorganização partidária.

Seus principais fatores são, o esvaziamento de lideranças tradicionais do centro, que na eleição de 2022 unificaram eleitores na conquista da reeleição do PSDB ao governo do estado.

A fragmentação da direita é outro fator a ser considerado. Apesar do crescimento do PL e do Republicanos, a direita encontra-se dividida entre diferentes espectros do bolsonarismo e do conservadorismo tradicional. A falta de um nome de consenso pode levar a uma dispersão de votos, reduzindo sua competitividade frente a um adversário mais consolidado.

Outro ponto a ser considerado, o notório enfraquecimento do centro, representado aqui pelo MDB e PSDB, partidos que historicamente conquistavam o eleitorado moderado no estado, e que vem perdendo espaço para a polarização. A dificuldade desses partidos em apresentar uma alternativa viável torna o centro um campo aberto, e sem um representante competitivo até o momento.

O cenário político do Rio Grande do Sul para 2026 indica desafios claros para os partidos de direita e centro. A direita precisa urgentemente superar a fragmentação interna, construindo um consenso que evite a dispersão de votos entre diferentes segmentos conservadores. Já o centro necessita reconstruir sua identidade e oferecer uma alternativa moderada viável, resgatando o eleitorado perdido para a polarização. Por outro lado, a esquerda, deve focar em consolidar sua base e ampliar a mobilização eleitoral nas regiões estratégicas. Todos precisam compreender que, para vencer, será decisivo o investimento em engajamento e na redução da abstenção nas grandes cidades do estado.

José Carlos Sauer é formado em Filosofia pela PUC-RS, pesquisador especializado em comportamento político, consultor estratégico, analista de dados e diretor do Instituto Methodus. Com mais de 25 anos de experiência no cenário eleitoral brasileiro, consolidou seu conhecimento sobre dinâmica do comportamento eleitoral, análise de tendências e desenvolvimento de estratégias políticas eficazes. Sua atuação se destaca na transformação de dados em inteligência aplicada, otimizando campanhas e decisões dentro de ambientes políticos altamente competitivos.

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