O que une os brasileiros nas eleições?

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A perspectiva da conquista do hexacampeonato na Copa do Mundo uniu os brasileiros em torno de um objetivo compartilhado. Durante semanas, a expectativa de ver o Brasil novamente no lugar mais alto do pódio alimentou um sentimento coletivo de esperança e pertencimento.

Encerrada a participação na Copa do Mundo, outra grande disputa passará a ocupar a atenção e as emoções dos brasileiros. Em aproximadamente 90 dias, iremos às urnas para escolher nossos representantes à Presidência da República, ao Governo do Estado, ao Senado Federal, à Câmara dos Deputados e às assembleias legislativas estaduais.

Se, durante os jogos da Copa do Mundo, fomos capazes de nos unir como nação, cabe perguntar: o que une os brasileiros quando o assunto são as eleições? A resposta parece complexa e talvez esteja entre as mais difíceis de formular.

Entretanto, basta um pequeno distanciamento para observarmos o cenário eleitoral sob outra perspectiva. Nos últimos meses, pesquisas de opinião foram divulgadas em diferentes estados brasileiros. Com resultados muitas vezes divergentes e, por vezes, aparentemente incoerentes, elas apontam vencedores e derrotados em direções distintas.

Ainda assim, por trás dessa diversidade de cenários, há um elemento comum capaz de responder à questão inicial: quando pensamos nas eleições, o que nos une é a indecisão.

É o “não saber” escolher que parece nos aproximar. A maioria de nós chega ao período eleitoral sem uma escolha consolidada, acompanhando à distância uma decisão que exercerá profunda influência sobre nossas próprias vidas. Essa condição é compartilhada por milhões de brasileiros. A sensação de falta de opções, o desinteresse e até mesmo o afastamento da política constituem algumas de suas manifestações.

Paradoxalmente, a informação mais consistente produzida pelas pesquisas eleitorais não diz respeito a quem lidera a disputa. Em sucessivos levantamentos realizados ao longo de 2026, independentemente das diferenças entre os levantamentos, há um resultado que se repete de forma sistemática: na intenção de voto espontânea, a ausência de uma escolha definida aparece como a resposta mais frequente.

Como pesquisador, procuro sempre identificar a informação que melhor representa o momento em que o eleitor se encontra. Se tivesse de ordenar os resultados produzidos por uma pesquisa eleitoral, colocaria, em primeiro lugar, a intenção de voto espontânea e, em seguida, a intenção de voto estimulada. A diferença entre ambas não é apenas metodológica, mas também temporal. A primeira retrata o presente; a segunda projeta um comportamento futuro.

Essa distinção é fundamental. A resposta espontânea revela aquilo que o eleitor já elaborou e incorporou à sua decisão. A resposta estimulada, por sua vez, expressa uma escolha diante de alternativas apresentadas pelo pesquisador. Em outras palavras, a primeira registra uma decisão já construída; a segunda procura estimar uma decisão que ainda está em formação.

Quando olhamos para além dos números produzidos pelas pesquisas eleitorais, percebemos que a democracia não se expressa apenas no voto depositado na urna, mas também no tempo que o eleitor leva para decidir. Enquanto candidatos comemoram posições nos levantamentos estimulados, milhões de brasileiros constroem, silenciosamente, sua escolha. É justamente nesse intervalo, entre a decisão já construída e a decisão ainda em formação, que se encontra a informação mais valiosa das pesquisas eleitorais: não quem lidera a disputa, mas o estágio em que se encontra a decisão do eleitor.

José Carlos Sauer – Diretor do Instituto Methodus, especialista em comportamento político e graduado em Filosofia Política. Há mais de 25 anos atende disputas eleitorais, conduzindo pesquisas de opinião, interpretação de dados e análises, além do direcionamento estratégico para campanhas. Se você busca uma consultoria estratégica para sua disputa eleitoral, fale conosco por WhatsApp ou e-mail.

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