A ausência de Edegar Pretto na disputa do RS e a reorganização dos votos de esquerda

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A eleição no Rio Grande do Sul sofreu, nas últimas semanas, uma reviravolta que pretende reposicionar o campo progressista na disputa, ao transferir ao PDT de Juliana Brizola o protagonismo na liderança desse campo no estado.

À primeira vista, a decisão parece acertada. Um olhar menos atento, baseado em um cálculo simplificado de soma, leva à conclusão rápida de que, na ausência de Edegar Pretto (PT), seus votos migrariam automaticamente para Juliana (PDT), garantindo a ela uma vantagem inicial e pavimentando, com relativa segurança, seu caminho até o Palácio Piratini.

Mas essa leitura simplifica um comportamento que os dados mostram ser mais complexo.

A decisão tomada não representa apenas uma substituição de nomes. Ela redefine a disputa no estado e está longe de produzir efeitos lineares ou de se resumir a uma simples soma de percentuais.

As duas últimas pesquisas divulgadas pelo Instituto Methodus (fevereiro e março) oferecem a base empírica para aprofundar essa leitura, ao indicar os prováveis destinos do eleitorado de Edegar Pretto (PT), que alcançava 21,3% na mais recente medição, diante de sua retirada da disputa ao Governo do Estado.

Os dados revelam que a decisão do eleitor não é orientada apenas por afinidade ou alinhamento político, mas também pela percepção de viabilidade da candidatura. Nesse sentido, a retirada de Edegar Pretto altera não apenas o destino de seus votos, mas a própria leitura do eleitor sobre quem tem condições reais de vencer a disputa.

Ao cruzar a percepção de quem o eleitor acredita que vencerá a eleição presidencial com a escolha para o governo do estado, os dados mostram que a decisão não é apenas ideológica. Ela é fortemente orientada por viabilidade.

Entre os eleitores que acreditam na vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (50,5%), observa-se uma divisão clara na disputa estadual: 36,7% se posicionam com Edegar Pretto, enquanto 20,9% optam por Juliana Brizola.

Esse dado é central.

Ele revela que, dentro do eleitorado mais alinhado ao campo petista na disputa presidencial, Edegar mantém uma posição mais consolidada do que Juliana. Ou seja, sua retirada não desloca automaticamente esse eleitorado. Ao contrário, cria um vazio competitivo dentro de um segmento em que ele era dominante.

Ao mesmo tempo, quando se observa o movimento inverso, isto é, os eleitores que acreditam na vitória de Edegar (30,8%) e de Juliana (24%), surgem sinais importantes de convergência, mas também de limite.

Entre aqueles que acreditam na vitória de Edegar, 65,4% também apostam na vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, indicando forte alinhamento entre essas duas bases. Já entre os que acreditam na vitória de Juliana, esse percentual é de 47,1%, seguido por 25,7% que se posicionam com Flávio Bolsonaro, além de parcelas menores distribuídas entre outros candidatos. Esse padrão revela uma base mais heterogênea e menos concentrada no campo lulista.

O contraste entre expectativa de vitória e intenção de voto ajuda a explicar o comportamento observado.

Enquanto Edegar se ancora de forma mais consistente no eleitorado que percebe Lula como competitivo, Juliana opera em um espaço mais difuso, que inclui eleitores de diferentes orientações e graus de convicção política.

Portanto, a retirada de Edegar não apenas redistribui votos, ela altera a estrutura de percepção de viabilidade dentro do campo de atuação do Partido dos Trabalhadores. E, nesse processo, parte relevante dos eleitores que hoje sustentam Edegar pode não se transferir automaticamente para Juliana, justamente porque sua escolha está ancorada em uma percepção de competitividade mais consolidada.

Assim, os dados indicam que o desafio não está apenas em herdar o eleitorado de Edegar, mas em reconstruir, dentro da candidatura do PDT, a mesma percepção de viabilidade que, até aqui, sustentava a candidatura do PT.

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José Carlos Sauer – Diretor do Instituto Methodus, especialista em comportamento político e graduado em Filosofia Política. Há mais de 25 anos atende disputas eleitorais, conduzindo pesquisas de opinião, interpretação de dados e análises, além do direcionamento estratégico para campanhas. Se você busca uma consultoria estratégica para sua disputa eleitoral, fale conosco por WhatsApp ou e-mail.

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